O histérico é hiperorgonótico com a caracterialidade bem resolvida, mas muito infantil, apresentando um bloqueio intermitente na pélvis que explica a sexualidade contraditória ao seu comportamento. Tem uma atitude sexual evasiva e agilidade corporal, mas retraídas na concretização sexual, o que demonstra uma presença do superego ligado ao julgamento dos outros. Para esta caracterialidade a aprovação do outro, demonstrada na carência do amor, implica numa tensão do diafragma, provocado pelo sentimento de culpa, caracterizando o clássico masoquismo do histérico. Além disso, tem uma tendência a mudar de humor e de opinião por uma sugestionabilidade. A segunda observação de interesse para nós é bastante mais específica e corresponde a uma equivalência que, a certa altura, Reich propõe entre o caráter e a personalidade inteira. Não desenvolve, sequer tematiza essa aproximação, mas, uma vez que garimpamos, nesse texto, elementos de proveito para a nossa pesquisa, podemos empenhar-nos no vislumbre do que essa equivalência nos oferece.
Traço de caráter Rígido
Cada momento de formação de um desses traços molda o seu corpo com um formato bem característico, visando te dar habilidades para lidar com feridas emocionais. Como os traços de caráter surgiram no seu inconsciente na primeira infância, quando você era apenas uma criança percebendo como o mundo funcionava e como as pessoas se comportavam, cada novidade gerava um desconforto em você. Esses diversos desconfortos imprimiram no seu inconsciente sensações conhecidas na análise corporal como dores básica ou feridas emocionais. Luiza Meneghim traços de caráter momento de vida você ainda não sabia lidar com os fatos do dia-a-dia, porque toda experiência nova precisava ser interpretada (como a sensação de solidão ou de rejeição, por exemplo). Do ponto de vista do interesse terapêutico, Reich já se mostrava convicto da importância do entendimento sobre o caráter dos pacientes. Ademais, reconhecia que essa importância já vinha sendo absorvida pela psicanálise, que "(...) deixou há muito de ser meramente uma terapia de sintomas; pelo contrário, vem-se transformando, constantemente, em uma terapia de todo o caráter" (p. 238). Isso se devia, em parte, à compreensão de Freud de que o fator crucial do trabalho analítico é a dissolução das resistências5, e não apenas a remissão dos sintomas.
Características do traço de caráter Masoquista
Cabe notar que, ao atribuir ao caráter a condição de defesa, Reich o considera uma abrangente estratégia. Não se trata, portanto, de um mecanismo de defesa específico, mas de algo mais vasto, que se diferencia dos mecanismos de defesa de forma semelhante àquela com que se diferencia dos sintomas - pela sua amplitude. Hoje, é fácil constatar a existência de psicólogos que trabalham tendo como referência as idéias desenvolvidas pelo analista austríaco Wilhelm Reich. Contudo, apesar de se observar certo incremento nas pesquisas científicas dedicadas às formulações desse autor, particularmente a partir dos anos 90, pode-se afirmar que ainda existe uma carência nesse domínio2. No centro desta personalidade está um Eu fraco, possivelmente castrado e obrigado a obedecer desde as primeiras fases.
Características do traço de caráter Oral
- A origem do masoquista está em cada emoção que provoca ansiedade, isto é, um certo tipo de medo, um medo de morrer que, do ponto de vista energético, é o medo do orgasmo, de deixar-se, de abandonar-se completamente ao outro.
- Esse traço possui energia acima da média, porém, mal distribuído pelo corpo o que lhe atribui uma denominação hiperorgonótico desorgonótico.
- O que ele descobre é que, pela análise do caráter, o caminho para a análise dos significados inconscientes vai sendo espontaneamente aberto, pois o caráter traz em si o registro de sua constituição histórica pulsional e defensiva.
- A gula e o narcisismo são as características centrais dessa personalidade, além de uma imaginação e racionalização exageradas.
- Esse processo remete à organização sexual da fase oral, quando a catexia de objeto e a identificação estão juntas, posto que a meta da pulsão é a incorporação ou absorção do objeto.
Há essa tendência de indivíduos ruminar a raiva que impede a concentração nas “coisas” primárias de forma que o secundário acaba tomando o lugar do primário. Uma “virtude irada”, assim Naranjo (1996) define o Tipo I. Catalisando sua emoção (raiva) e o cognitivo (perfeccionista) o Tipo 1 leva a sério a vida. Tudo é transformado em objeto de compulsão ou obsessão leve, moderada ou severa, de forma de que ninguém consegue fazer melhor que ele, já que seus padrões de perfeição são definidos por sua própria paixão. Através da leitura do corpo poderia se perceber os bloqueios energéticos e propor terapias para a dissolução dessas couraças e a livre circulação energética nos indivíduos.
Características do traço de caráter Esquizóide
Na raiz de seu comportamento está a paixão do orgulho, uma exaltação imaginária do valor e da atração pessoal, a necessidade de ser o centro das atenções. A carência de amor dos indivíduos do tipo II o torna suscetível e melindroso, uma possessividade e uma demanda de ser reconhecido. A origem do Eneagrama, enquanto sabedoria de transmissão oral não é documentada ou clara. Alguns autores (Cláudio Naranjo, Helen Palmer) apontam que variações do símbolo já se faziam presentes há mais de 4.000 anos na geometria Pitagoriana. Há relatos de que irmandades Sufis também já utilizavam o Eneagrama para estudar o comportamento humano. Quando bebê, qualquer necessidade que você sentia e não era devidamente atendida provocava o registro da dor básica do abandono. Do momento em que você nasceu até que completasse o primeiro ano, o seu corpo ficou mais "escorrido", arredondado e molinho, seu sorriso se tornou grande e seus olhos de conectaram para sempre manter as pessoas por perto. Essa é a formação do traço de caráter Oral (nome científico) que eu prefiro chamar de Comunicativo e Emocional. Por isso, quando o narcisista tem sua vaidade ofendida, reage com frieza, sadismo e agressividade. Às vezes se enfurece como um louco ou se deprime por não poder alcançar o que o ideal do ego exige e abre em seu caráter uma ferida narcísica que, na maioria das vezes passa a agir com uma dinâmica de barganha demagógica de modo a obter uma amenização da virulência dos ataques mobilizados contra ele. A determinação em vencer está mais baseada no medo do fracasso do que na própria recompensa que irá obter por lutar e vencer.
Análise Corporal: entenda os 5 traços de caráter
Percebemos um diafragma comprometido pela participação do “masoquismo” e uma sensação de ter transgredido a “lei” constantemente. Na estrutura da personalidade encontramos a Inveja como elemento central, em uma forma de ver aquilo que me falta, uma ganância, um impulso desejoso. No DSM, o Tipo II do eneagrama é encontrado sob o rótulo de “Distúrbio de Personalidade Histriônica”, para o qual são apresentados os seguintes critérios de diagnóstico. Ao mesmo tempo em que ele tem má-vontade com relação aos afetos, ele é fortemente inacessível a eles. Em alguns casos, isso pode se transformar em um total bloqueio com relação aos afetos.
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Vê-se, então, o reconhecimento de Freud de que o interesse psicanalítico não só pode, como deve voltar-se sobre o caráter em determinadas situações clínicas. Além disso, tal como já aparecera no trabalho O método psicanalítico de Freud (1904[1903]/1972), apresenta-se a possibilidade de se pensar em resistências de caráter. Como veremos mais adiante, afiguram-se aí duas entradas significativas que Reich viria desenvolver. Não tem uma presença contínua e parece-nos difícil reconhecer, em Freud, uma teoria do caráter propriamente dita (diferentemente do que ocorre com a teoria das pulsões, por exemplo). Viver para a autoimagem é um sinônimo de falar do narcisismo, um traço de caráter que está presente fortemente neste tipo. Mais que qualquer outro traço, podemos considerar a “raiva” a base emocional e a essência da paixão da estrutura deste caráter. Uma sensação de injustiça diante de seus esforços e das responsabilidades que assumiu desproporcional em relação aos outros. A raiva está presente em uma forma de irritação, reprovação e hostilidades permanentes, que sempre são reprimidas ou desviadas e não expressadas. Junto com a base que é a raiva aparece a crítica, a exigência, o perfeccionismo, o controle excessivo, a autocritica e a disciplina configurando o caráter de obsessão e compulsão. Por fim, pode-se dizer que, do conjunto das considerações que Reich faz nesse trabalho, não é possível ainda deduzir, de forma estruturada e fidedigna, o que ele chama de caráter, embora sua relação com o narcisismo, com a formação do ego e do ideal de ego, bem como com as resistências à análise, já se afigurem.